“O principal fator de risco psicossocial nas organizações é a má liderança” Juan Villaveces, Gerente de Consultora SURA.

Hoje falaremos do risco psicossocial a que estão expostas os trabalhadores nas empresas com Juan Carlos Villaveces, economista, diplomado em gestão de talento humano e especialista em gestão de riscos. O Juan Carlos é Gerente de Operações da Consultora SURA, uma empresa colombiana especializada na gestão de riscos empresariais de todo o tipo de empresas.

Acsendo: Comecemos por falar de sua carreira e experiência em consultoria de risco psicossocial.

Juan Carlos Villaveces: Sou o gerente de operações da Consultora SURA, empresa especializada na gestão de riscos empresariais. Sou economista, especialista em negociação, relações internacionais e gerenciamento de riscos. Dei cursos e fiz estudos de gestão humana, comércio eletrónco, marketing digital, marketing e liderança. Trabalho na SURA há 20 anos, sempre em papeis de gestão com projetos no setor de saúde, riscos laborais e seguros empresariais.

A.: O que são exatamente os riscos psicossociais?

J.C.V.: Segundo o Ministério de Proteção Social de Colombia, são riscos psicossociais as condições laborais cuja identificação e avaliação mostrem efeitos negativos para a saúde física e mental dos trabalhadores. As consequências desses riscos podem ser físicas, emocionais como a ansiedade, depressão, apatia, cognitivas, como a perda de concentração e da capacidade para tomar decisões, comportamentais, como o desrespeito ou a violência. Todas elas causam o que se conhece como estresse e levam a doenças com diversa intensidade, frequência e duração.

A.: Na Colombia existe a resolução 2646 de 2008, expedida pelo Ministerio da Proteção Social, que legisla o tema do risco psicossocial. Qual é a finalidade dessa resolução?

J.C.V.: Dentro do desenvolvimento das leis que buscam o cuidado e o bem-estar dos trabalhadores a nível mundial se identificaram que um dos riscos mais altos que enfrentamos atualmente é o risco psicossocial, que tem muitas causas mas para o que muitas vezes se pouco ou nada por preveni-lo e gerenciá-lo.

A Colômbia foi líder regional em prevenção e tratamento dos riscos laborais, pelo que adotou a Resolução 2646 no ano 2008. A finalidade dessa resolução é que as empresas façam uma gestão de riscos psicossociais responsável e permanente em sua equipe de trabalho com o fim de mitigar e prevenir este tipo de riscos que podem afetar seriamente sua saúde mental e física.

Para além do que está escrito na resolução, é importante entender que o espírito da mesma é que este tipo de gestão se integre com os objetivos estratégicos das organizações e que no nível administrativo exista uma profunda consciência do quão importante é este tema para o bem-estar das pessoas e para a produtividade das organizações.

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A.: Qual é o papel da Consultora SURA na avaliação e gestão do risco psicossocial nas empresas?

J.C.V.: A Consultora SURA é uma empresa que há mais de 18 anos se especializou na medição, prevenção e gestão dos riscos nas empresas de todos os setores do mercado, especificamente nos riscos psicossociais e patrimoniais.

Em conjunto com uma equipe de mais de 30 psicólogos de todo o país, temos trabalhado para criar os mecanismos adequados para a aplicação dos testes que o Ministério da Proteção Social definiu para o diagnóstico destes riscos nas empresas. Com os resultados obtidos desenhamos planos de intervenção que buscar diminuir o risco e suas consequências.

A.: A resolução foi expedida há 7 anos, por que demorou tanto para ser implementada pelas empresas?

J.C.V.: Vivemos em um país de leis, quando um empresário conhece os riscos em que incorre se não cumpre alguma norma aceita a lei e cumpre-a sem duvidar. Infelizmente, esta é uma lógica muito elemental, semelhante à do castigo a crianças. ‘Se não cumpres eu castigo-te!’ mas se não houver sanção, perdes credibilidade e dexamos de cumprir a norma.

Isto acontece nas empresa, que para além disso têm a agravante de que, cada ano, surgem novas normas. Até à data, muitas empresas fizeram avaliações diagnósticas dispostas na resolução, na Consultora SURA aplicamos mais de 10 mensalmente, mas eu diria que isto tem dois problemas.

O primeiro é que ainda há muitas empresas que desconhecem esta resolução e nada fazem a respeito. O segundo, e talvez mais delicado, é que não é suficiente fazer diagnósticos para cumprir uma norma, o importante é usar estes resultados para diminuir o risco e buscar que as condições que o criam também sejam reduzidas, ou eliminadas.

A.: Há algum fator de risco específico que precise de um especial cuidado dentro das organizações para evitar consequências graves no bem-estar de seus colaboradores?

J.C.V.: Dentro dos milhares de diagnósticos que temos aplicado nestes anos descobrimos que um dos principais fatores que criam os problemas psicossociais nos trabalhadores está associado aos problemas de liderança e condução.

As principais causas de rotatividade laboral estão associadas a um mal chefe, autoritário, obsessivo, desrespeitoso, etc. Mas temos descoberto adicionalmente que nas pessoas que sofrem essas más práticas de liderança as consequências se manifestam em estresse laboral, o que afeta seriamente a saúde física e mental das pessoas.

A.: Com os resultados que têm vindo recolhendo durante todo este tempo, se poderia chegar a ter projeções de resultados no futuro aplicando Big Data para prevenir com maior eficácia os riscos nas organizações?

J.C.V.: Claro que sim. Com os resultados das avaliações se podem fazer previsões que devem se converter em ferramentas de prevenção e gerenciamento do risco psicossocial nas empresas. As áreas de desenvolvimento humano devem ter em conta estas descobertas para direcionar corretamente seus programas e buscar que os trabalhadores estejam motivados e livres de pressões alheias às suas responsabilidades. Um trabalhador bem orientado gerará grandes resultados para sua empresa, família e sociedade.

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