A rotatividade laboral e falta de oportunidades de crescimento

Em artigos anteriores procuramos dar algumas luzes sobre os aspectos que têm mais impacto nas altas taxas de rotatividade de mão de obra das empresas e o grande problema que isso representa para a estabilidade dos níveis de desempenho, produtividade, competitividade e posicionamento no mercado das organizações.

A mudança frequente de funcionários em uma empresa, definitivamente afeta sua credibilidade. Os próprios colaboradores vêm como várias pessoas entram e saiem em um curto prazo, o que não ajuda em nada a propiciar a estabilidade laboral que a empresa requer para gerar confiança, motivação e o compromisso de sua equipe.

Um estudo chamado “Pesquisa de Saída” que foi feito pela rede social LinkedIn, nos poderá ajudar a entender melhor a situação. Anteriormente, temos mencionado as 5 razões que, influenciam em maior medida a decisão dos funcionários de abandonar seu trabalho. Uma dessas causas de que falávamos era a falta de projeção e desenvolvimento laboral dentro da empresa, que reflita exatamente o resultado do trabalho de LinkedIn.

A rede social para profissionais fez um estudo através de um inquérito que incluiu 7530 de seus usuários ativos nos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Índia e Reino Unido e que tinham mudado de trabalho recentemente. A ideia do inquérito era encontrar a principal razão pela qual decidiram abandonar seu emprego anterior. Surpreendentemente, em primeiro lugar surge a falta de oportunidades de crescimento e a estagnação que isso provoca em suas carreiras profissionais.

Isto poderia significar duas coisas interessantes a ter em conta. Por um lado, muitas empresas descuidaram o tema da retenção de seus talentos e apesar de estarem conscientes dos problemas que levam à excessiva rotatividade laboral, não conceberam e implementaram programas adequados para incentivar a promoção e o crescimento das carreiras profissionais dos seus funcionários.

Por outro lado, ainda que as empresas tenham programas e mecanismos destinados a incentivar promoções e reter o talento humano, os funcionários não estão cientes e não participam desses programas, o que também poderia implicar descuidos nos mecanismos de comunicação interna usados pela organização para informar os colaboradores.

Outro estudo feito pelo LinkedIn, descobriu que 69% dos funcionários dos departamentos de RH nos Estados Unidos afirmaram que os colaboradores de sua organização eram muito conscientes da existência e funcionamento dos programas de promoções e mobilidade interna. Curiosamente, na Pesquisa de Saída apenas 25% dos funcionários norte-americanos afirmou que conhecia esses programas.

Outra descoberta importante na pesquisa de saída de LinkedIn, é que dois terços dos funcionários que foram promovidos dentro de sua empresa disseram ter-se apercebido da oportunidade através de conversas informais com seus colegas, mas nunca por comunicação direta com a empresa. Isto confirma a hipótese de que os funcionários não têm consciência dos programas de promoção interna que existem ou simplesmente não os estão usando.

Ao contrário do que se poderia pensar, muito abaixo da falta de oportunidades de subida está a má relação com os chefes imediatos como razão para justificar a decisão de mudar de emprego.

Assim sendo, podemos concluir que as organizações devem preocupar-se muito mais por implementar seus programas de mobilidade interna. Se os programas já existem, então as empresas deveriam melhorar os mecanismos de comunicação interna para transmitir a informação aos seus colaboradores, o que ajudará a diminuir a taxa de rotatividade laboral e se verá refletido no estado do clima laboral e dos níveis de produtividade da empresa.

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