Competências

“Cultura organizacional e visão estratégica são as dos competências necessárias para o sucesso” Esteban Mancuso, CEO de Velum Ventures

Hoje falaremos de competências laborais e cultura organizacional nas PMEs e startups com Esteban Mancuso, MBA da IE Business School de Madrid. O Esteban é CEO e cofundador de Velum Ventures, uma empresa gestora de fundos de capital privado, que se especializa em investir em startups de origem tecnológica exclusivamente em etapas de capital semente.

Acsendo: Fale-nos de sua experiência e trajeto profissional

Esteban Mancuso: Sou gerente e co-fundador da Velum Ventures, um fundo de investimento em startups tecnológicas. Anteriormente fui mentor do Founder Institute, assessor principal em empreendimento e inovação na ANDI do Futuro na Colômbia, Diretor do Centro de Empreendimento e Famílias Empresarias na Universidade Sergio Arboleda e professor de empreendimento nas Universidades UADE, UP (MBA), ESEADE, EAFIT e CESA. Sou MBA da Business School do Instituto de Empresa de Espanha e criador das metodologias Lean Strategy e Venture Managers para crescimento e acompanhamento de Startups.

A.: Com sua experiência acompanhando o crescimento de PMEs e empreendimentos na Argentina e Colômbia, quais são as semelhanças e diferenças quanto às competências laborais e desempenho que se podem identificar entre os dois países?

E.M.: Entendendo que minha experiência de gestão foi em dois países, posso dizer que na Argentina os empreendedores e gerentes de empresas com potencial de crescimento têm uma mentalidade muito aberta para enfrentar a expansão internacional, que têm menos medo de fracassar e que gerem a incerteza de uma maneira mais natural, devido às constantes crises econômicas da Argentina.

Os argentinos são muito menos fieis às empresas, buscam mudar rapidamente por benefício próprio e negociam sempre acima do interesse comum sendo mais difíceis de reter. Os colombianos valorizam muito mais a empresa e a relação de respeito pelo empregador e as oportunidades oferecidas. Os empreendedores colombianos são mais solidários nesse sentido, ou seja, estão melhor associados, se juntam mais, colaboram mais, buscam criar clusters, são mais fortes em tudo o que é coloborativo.

A.: Quais são as competências que um CEO precisa para conduzir uma startup ao sucesso?

E.M.: Visão estratégica para identificar as oportunidades e saber como as capitalizar a partir de uma estratégia sólida que permita construir um ou vários modelos de negócio. Essa visão também é necessária para desenvolver uma liderança exemplar e inclusiva que crie uma cultura organizacional que permita aos colaboradores desenvolver todo seu potencial e viver a melhor experiência laboral possível.

A seguinte competência é a capacidade de identificação de oportunidades e implementação rápida. Os CEOs devem ter metodologias muito bem estruturadas para definir rapidamente quando existe ou não uma oportunidade e qual é a melhor maneira de converte-la em um negócio de sucesso.

Em terceiro lugar está o balanço entre crescimento e saúde financeira da empresa, o que é fundamental porque não podemos focar todos os esforços em buscar as novas oportunidades e descuidar a geração de fluxo de caixa. É vital rentabilizar as oportunidades e para isso há que ter a capacidade de gerir a empresa de forma saudável a nível econômico e de cultura organizacional.

Por último, e não menos importante, ter o dom das pessoas e a empatia com clientes externos e internos. O respeito e a capacidade de se relacionar com os colaboradores e valorizar seu talento é necessário em qualquer empresa para alcançar com sucesso as metas corporativas e manter equipes de trabalho motivadas, satisfeitas e comprometidas.

A.: Como vê o talento humano na América Latina? É um desafio para as organizações?

E.M.: Sem dúvida alguma, a maioria das startups que temos analisado não têm fundadores com a capacidade gerencial nem de liderança para sobreviver às dificuldades que se vivam na etapa de crescimento.

Como em todas as sociedades, há pessoas muito boas e não tão boas, mas falta muito treinamento, falta formar as pessoa para a visão estratégica e na capacidade de detetar oportunidades. Creio que há muito nível nos cargos técnicos mas não há líderes para criar grandes empresas como a Google, Facebook, etc.

Quando olhamos para as economias da América Latina, damos conta que a maioria são empresas de matérias primas, são exportadoras de petróleo, gás, carvão, minerais. Mas falta a visão estratégica na inovação e no crescimento, essas empresas no geral são geridas por pessoas que lutam para criar novos modelos de negócios e preparar a entrada das novas gerações como os millennials.

A.: Quais são, para si, as competências mais fortes dos empreendedores?

E.M.: A primeira é a capacidade de execução na etapa inicial com poucos recursos, isso é algo que os empreendedores latino-americanos aprenderam a fazer porque ao ter muito poucos fundos de investimento não têm opção do que trabalhar nessas primeiras etapas com o que conseguem.

A segunda é a gestão de ecossistemas locais de apoio, existem muitas associações que agrupam e apoiam os empreendedores, todos se ajudam bastante. Mas tudo isso deve se traduzir em sustentabilidade e essas associações não podem ser instituições que estão todo o tempo dependendo do setor público.

A.: E as duas competências mais fracas?

E.M.: A primeira é o recrutamento de talento humano com visão de participação. Muitos empreendedores ainda não entendem que o mais importante são as pessoas e que se elas não estiverem alinhadas com e empresa irão abandonar a organização. O mais importante não é um salário, mas a projeção que possam ter nessa empresa e mostra-lhes a visão claramente. Esse egoísmo que às vezes se vê nos fundadores é o que faz com que o talento se vá e que em muitas ocasiões decida trabalhar ou criar a competência.

A segunda é o planejamento estratégico e financeiro que é tremendamente frágil porque existe uma brecha muito grande entre teoria e prática. Ainda que sejam empreendedores formados e com mestria o que aprendem nas academias não tem nada a ver com o que é gerenciar realmente empresas em crescimento em mercados emergentes.

A.: Quais são as características de uma cultura organizacional adequada para que as startups da América Latina cresçam rapidamente?

E.M.: São duas grandes características. A primeira é alinhar toda a equipe com uma visão única. A segunda é entender que é preciso compatibilizar entre ser um visionário e ser um visionário com os pés na terra, há que saber convencer e compensar as pessoas para que continue na empresa nos primeiros momentos críticos mostrando as grandes oportunidades que vão acontecer no futuro.

Quando forem alcançados os primeiros objetivos é possível que se deva mudar o líder ou buscar os assessores adequados para continuar a expansão. Existem gerentes muito bons na etapa inicial, mas muitas vezes em etapas médias e avançadas é preciso um gestor de execução mais forte ou um líder com capacidade de inovação. Tudo isso é parta da sabedoria que as organizações têm de ter para chegar ao topo.

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