Entrevistas

“Para ser empreendedor, mais que inteligente e sagaz, deve ser persistente”: Martin Schrimpff

Martin Schrimpff não é uma figura desconhecida no setor do empreendimento na Colômbia e, em geral, de toda a região. O co-fundador e Chefe de Vendas Globais de PayU falou com Acsendo sobre a importância de contar com uma equipe altamente capacitado e alinhado com as metas da organização.

Acsendo: Quem é Martin Schrimpff e em que projetos se encontra trabalhando atualmente?

Martin Schrimpff: Sou um serial empreendedor serial, estive envolvido na criação de 6 empresas de tecnologia, inclusivamente Acsendo. Criei outras startups de fintech. À parte de PayU, faz 5 anos, cresce Zinobe, que tem um produto especial chamado Lineru, em que damos empréstimos online, entre 140.000 e 700.000 pesos. Todo o processo é online, em menos de 24 horas o dinheiro é desembolsado.

Criamos este produto e hoje em dia a empresa está muito bem. Contamos com cerca de 40 funcionários. Fizemos mais de 200.000 empréstimos. E, ao contrário do que toda a gente acredita, nos pagaram de volta. Para além disso, é algo muito interessante que temos visto em nossa área de RH, temos uma rotatividade muito baixa em nossa equipe.

A: De início ao fim, como estave estruturado o departamento de RH em PayU? Ao princípio, que tipo de perfis buscavam para sus empresa?

M.S.: Creio que não ninguém formalmente até contarmos com 50 funcionários. Primeiro contratámos uma psicólogo recém licenciada, mas com as primeiras pessoas não correu bem. Acabámos por contratar uma engenheira industrial e fomos treinando e agora é nossa VP de RH, e reporta diretamente a Aparna Ballakur, Vice-presidente Global de Recursos Humanos.

Ela deu uma volta completa ao tema: cria KPIs, avaliações de desempenho, começámos a alinhar as metas em toda a empresa. Definiu metas globais e metas para cada departamento. Isso foi revolucionário e muito importante para o sucesso de PayU.

A: Há quinze anos, a PayU nasceu como um projeto de três amigos, hoje faz parte da multinacional sul-africana Naspers. Qual foi a importância do talento humano neste processo?

M.S.: Creio que sua importância foi total. Tínhamos uma muito boa equipe quando começámos. Santiago Espinel tinha uma grande visão de que podíamos conseguir com nosso modelo de negócio, José Vélez se encarregava das operações e, por minha parte, me concentrei nos setores de Marketing e comercial.

Em 2010, iniciou uma transformação e passamos de 30 funcionários para quase 2000, destes, 500 eram da América Latina. Foi uma mudança duríssima. Quando há uma empresa como Acsendo ou Zinobe, o tema de RH pode ser controlado pelos chefes. Mas quando ocorrem essas mudanças tão abruptas, a questão mais crítica e exigente é o de conseguir funcionários competentes para os segundos níveis.

Devemos sempre contratar pessoas categoria A. Ou seja, são funcionários que executam muito bem suas tarefas, mas ainda mais importante, que não têm medo de contratar pessoas que sejam iguais ou melhores que eles. Os funcionários de categoria B possam ser relativamente bons na execução, mas acabam contratando um colaborador tipo C porque acreditam que, se contratam alguém igualmente bom ou ainda melhor do que eles, poderão perder o posto.

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A: Uma das grandes vantagens de uma startup é poder trabalhar ao lado de seus fundadores. Como manter na medida que o empreendimento vai crescendo?

M.S.: Em geral perde-se bastante, há que fazer um esforço muito grande para manter esse tipo de vínculos. Temos organizado almoços de trabalho ou espaços em que estamos com os VP comerciais ou de marketing e os funcionários. Com isso tentamos aproximar-nos, mas é impossível manter essa relação.

À medida que a empresa cresce, a relação se vê marcada pelos KPIs e as avaliações de desempenho, se torna mais numérica do que de confiança e emoções. Para além disso, nos espaços par ater aproximações há que romper a barreira de medo. Alguns colaboradores têm medo de falar porque têm medo do vice-presidente. Não é fácil, mas se conseguirmos derrubá-la é muito poderoso porque são eles que entendem o negócio.

A: Agora você é investidor, que competências busca nos empreendedores para investir?

M.S.: O primeiro ponto que vejo é a persistência. Digo sempre que, para ser empreendedor, mais do que inteligente e sagaz, devemos ser persistentes. Isso é importante. Depois analisamos a capacidade de liderança, de vender a ideia e motivar sua equipe.

Depois espero que tenha ambição, que pense em grande. Os empresários da Colômbia pensam que, se conseguem ter mercado na Colômbia, se contêm com isso e não pensam ir mais longe. Por fim, entro a revisar a ideia de negócio e a determinar por que essa equipe pode conseguir e não outro. Se chegar um monstro como a Google e te vai excluir do negócio, deve ser possível criar barreiras de entrada para ter boas chances de ganhar.

A: Desde sua perspetiva, crê que o cargo da área de RH não é tido em conta no país?

M.S.: Colômbia não entende a importância da área de RH e é um posto tão importante com o COO ou o CTO. Quando tens a equipe alinhada e motivada, tua empresa vai operar a outro nível. O gerente de RH é o equivalente ao treinador de uma equipe de futebol. Tem que saber como cuidar e formar os seus jogadores. Se esse treinador não os poder a treinar e jogar bem, não irão ganhar os jogos.

Em princípio nós não entendiamos a importância de contratar alguém bem capacitado nesta área. Com o tempo nos demos conta que uma boa pessoa em RH motiva, mantem a equipe alinhada, ajuda a compartilhar a visão com todos e promove o sentido de pertencimento. Uma coisa é levantar-se, ter um trabalho e ganhar um salário… outra coisa é sentir-se apaixonado pelo trabalho que fazemos.

A: Perderam 30 milhões quando estavam começando PagosOnLine.Que lições retirou como empreendedor?

M.S.: Foi uma das experiências mais duras que tivemos. Realmente nós já tínhamos investido todas nossas poupanças, quando chega uma fraude de 30 milhões de pesos. Foi um rude golpe. Santiago Espinel deixou a empresa e todos os assessores com quem falávamos nos diziam: este negócio está muito mau. Aí eu fui teimoso e continuei dizendo: “aqui há algo”.

Foi o nosso tendão de Aquiles, percebemos e aprendemos a controlar o negócio através de um módulo anti-fraude. Começámos a fazer algo que ninguém sabia fazer. Fizemos, o que eu chamo, um MBA de 10 minutos e aprendemos a evitá-lo em nossa organização e em outras empresas.

A: Para terminar, três recomendações para as pessoas que pensam empreender.

M.S.: Ver o empreendimento realmente como uma oportunidade de carreira. Muitos que empreendem saiem da universidade e começam a empreender, recebem uma oferta e acabam terminando em uma multinacional. Empreender é uma carreira, e que se se conseguir fazer corretamente pode ser melhor do que qualquer outra.

Segundo, pensar em grande. Sentir que alguém pode se posicionar em um mercado importante. O esforço de empreender para ser uma loja de bairro ou de esquina, é quase o mesmo de conquistar un mercado grande. Terceiro, pensar nas forças e fraquezas, e formar uma equipe que complemente esses pontos.

Por fim, persistência e persistência. Vai ser muito duro, existirão momentos difíceis, mas há que seguir tentando. No entanto, se o modelo de negócio não serve, não há que continuar insistindo. Muitas vezes quando alguém está a metade do caminho encontra uma porta que não via antes. Há que ter a mente aberta para que o negócio possa seguir por outro caminho.

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