Entrevistas

“A confiança nas próprias capacidades é a chave para o sucesso das Startups e os empreendimentos”: Alan Colmenares, CEO do Founder Institute

Hoje falamos sobre talento, inovação e atualidade do setor das Startups com Alan Colmenares, diretor do blog TropicalGringo.com e diretor do Founder Institute, uma rede global de Startups e mentores que ajudam os empreendedores a iniciar e impulsionar empresas tecnológicas. Atualmente está criando o  fundo de investimento Tayrona Ventures, para perseguir e impulsionar novas oportunidades e empreendimentos.

Acsendo: Qual o impacto das Startups na criação de emprego na América Latina atualmente?

Alan Colmenares: Depende do país, no Brasil e Argentina o impacto é bastante grande, há milhares de empregados em Startups brasileiras, não é um setor enorme em relação com outras indústrias, mas são postos de trabalho que requerem muita criatividade e um elevado nível de talento humano, capacidade e inovação. Na Argentina o impacto é muito grande, recordemos que tivera o sucesso do Mercado Livre. Na Colômbia estamos começando a sentir agora, mas há muitas oportunidades no caminho.

A.: Que oportunidades de melhoria têm as Startups quanto ao talento humano?

A.C.: Quanto a oportunidades para melhorar em talento há três áreas. A primeira é a de competências de desenvolvimento, que falta muito na Colômbia e em todos os países, mas em especial na América Latina. As competências de desenvolvimento são uma limitação bastante grande, aqui não estamos habituados a formas de desenvolver projetos como as Startups norte-americanas fazem, nos quais estão sempre dispostos a fazer mudanças rápidas durante o caminho, isto é oposto ao que acontece nas grandes corporações onde se minimiza o risco e a adaptação à mudança nunca é fácil.

A segunda área é no desenho, disso precisamos imenso, ainda mais do que de desenvolvimento e há muitas vagas e necessidades nesse campo. Por fim, surge a mudança de paradigmas no marketing, há que desenvolver pessoas que possam conhecer e medir o produto, experimentem diferentes cenários e busquem o melhor resultado. Se uma Startup não tiver essas 3 grandes habilidades, não pode crescer, aí é onde vejo um pouco das fraquezas e, naturalmente, uma grande oportunidade de melhoria na região.

A.: Quanto à atitude, como vê o tema?

A.C.: Esse é um tema muito importante, é básico para o sucesso das Startups. No entanto, todo o tempo vejo gnte que inicia empreendimentos, mas não investiga o seu mercado, que não é especialista em sua área e que não indaga sobre seus competidores globais. Isso é irónico porque graças à internet hoje mais do que nunca podemos investigar sobre qualquer tema, setor e empresa de todo o mundo. A chave do sucesso não é apenas a ideia, é conhecer o ambiente e o contexto do mercado.

A.: Não arriscar empreender é uma questão cultural ou é por falta de exemplos de sucesso?

A.C.: Creio que o tema é basicamente a falta de confiança em si mesmo. Aqui existe uma cultura de pensar que apenas os estrangeiros são especialistas e por isso não se investiga diretamente. Por exemplo, os argentinos não sofrem com isso, eles não têm medo de ir a Sillicon Valley e falar com especialistas e competidores e investigar tudo o que é necessário antes de começar seu empreendimento. Não é que não ouçam conselhos, mas não esperam que lhes digam o que devem fazer. A confiança nas capacidades próprias é a chvae para o sucesso das Startups e os empreendimentos.

A.: Os fundadores das Startups delegam o trabalho ou querem abarcar toda a responsabilidade?

A.C.: Aqui há muito micro management e todos os fundadores o querem fazer, mas é difícil criticá-los porque realmente tiveram a experiência que se não estão acima de tudo as coisas não se fazem. No entanto, é necessário que no futuro os gerentes das Startups se preparem para delegar. Ao princípio não é fundamental porque a chave é o processo criativo e a produção, mas quando já se tiver construído algo e quando o negócio ganha escala, esse é o momento para permitir a autonomia e pôr em prática o delegar.

A.: O que preferem os millennials, trabalhar em Startups ou em grandes empresas?

A.C.: Não conheço tanto como pensam,mas vejo os jovens em Startups colombianas como Tappsi e estão muito felizes porque dizem que respeitam sua autonomia e opinião. Quanto aos Estados Unidos, lia há pouco tempo um artigo onde dizia que há 10 anos que todos os jovens estavam loucos por entrar em grandes empresas como a Microsoft ou a McKinsey, mas hoje em dia a percenteagem dos estudantes universitários que querem trabalhar em uma Startup ou fundar a sua própria cresceu bastante.

A.: Ainda que os millennials tenham a ilusão de trabalhar em Startups, têm o compromisso como os Estados Unidos?

A.C.: Creio que por vezes sim, falta compromisso. Quando penso na razão para isso, o único ponto de que me lembro é que este ambiente é muito hostil em relação ao que vem dos EUA, ou seja, lá tudo é muito ordenado, calmo, fácil e dá-se mais espaço e tempo aos processos criativos. Aqui o que vejo é um pouco de desordem e insegurança que faz com que os jovens não saibam como assumir esse compromisso e que talvez prefiram buscar um trabalho em empresas tradicionais e com prestígio.

A.: Poderia a América Latina chegar a ser tão importante como a Índia ou Israel quanto ao sucesso das Startups?

A.C.: Eu acho que sim, mas é preciso mais gente como o Jack Ma, o fundador da empresa chinesa Ali Baba. Quando ele começou, ninguém pensava na China como um mercado do futuro e todos lhe diziam que estava louco. Ninguém apostava nele, mas essa persistência e essa visão tão clara de saber onde levar as pessoas que Jack Ma tinha foram vitais para converter a sua ideia em uma das maiores empresas do mundo. Pessoas como essas são necessárias para alcançar esse grau de sucesso e desenvolvimento no futuro.

A.: O que é realmente necessário para que uma Startup tenha sucesso?

A.C.: É preciso criar algo que as pessoas não apenas goste, mas amem. Eu vi nas Startups com quem trabalho, quando conseguem que o serviço ou produto que criaram seja o melhor que se pode fazer, aí é quando já se tem todo o potencial. Esse é o primeiro passo, para o conseguir há muitos fatores como por exemplo, montar uma grande equipe de trabalho, isso é fundamental porque se a ideia é boa, mas a equipe não se entende e não sabem criar em conjunto, nada irá funcionbar. Conseguir isso é complicado, depois as coias saem com muito mais facilidade e por isso a persistência é o elemento principal para o sucesso de uma Startup.

A.: Algum conselho para os empreendores?

A.C.: Há que dizer sempre: sou o melhor! Eu demorei muito a fazer isso porque tinha medo, mas já o fiz. O talento está aí, em todos os países, há que investigar e aprender sobre tudo, há que explorar o acesso tecnolôgico a tudo. Há que dar conta que o mundo mudou e ver que as oportunidades estão em todo o lado. Se isso se entende e assume assim, as pessoas vão aprender a desenvolver melhor as ideias e a triunfar em seus negócios.

Avalie o desempenho de sua equipe facilmente e aumente a produtividade e a retenção de talentos em sua organização