Clima Organizacional

Flexibilidade laboral, o debate continua

Já falámos da implementação de horários de trabalho flexíveis como uma medida positiva e com benefícios tanto ao nível do bem-estar e satisfação dos funcionários como para o aumento da produtividade das organizações.

No entanto, há muitos gerentes que não estão nada convencidos da medida e evitam adotá-la e há outros, como a antiga executiva da Google e atual CEO da Yahoo, Marissa Mayer, que fizeram ‘marcha atrás’ e decidiram eliminar totalmente a flexibilidade nos horários de seus colaboradores.

Tudo começou em Fevereiro de 2013 quando a recém chegada chefe da Yahoo se deu conta que a maioria dos estacionamentos e cubículos dos trabalhadores nos escritórios centrais da empresa em Sunnyvale (California) estavam vazios e que muito poucos colaboradores estavam na sede em algum momento do dia. Isto acontecia porque, em administrações anteriores, os executivos da empresa tinham implementado um modelo de flexibilidade horário acolhido pela maioria dos colaboradores que permitia a alguns membros não ir a Sunnyvale nenhum dia da semana.

Assombrada com a situação, Mayer convocou a administração da empresa para comunicar sua decisão de revogar a medida e eliminar práticas como o trabalho remoto, à distância, pelo qual a Yahoo era amplamente reconhecida no mundo das empresas tecnolôgicas. Mayer argumentava que esse tipo de práticas era uma das razões pelas quais se tinha perdido a comunicação, conexão, integração e criatividade entre os colaboradores e uma das possíveis causas da perda de competitividade e os fracos resultados da Yahoo face aos eternos rivais como Google e Microsoft.

Por isso, através de um comunicado aos colaboradores, Mayer transmitiu que toda a equipa deveria regressar a seus escritórios e advertiu que quem não o fizesse seria despedido. Entre as razões enunciadas na missiva, Mayer explicava a necessidade da empresa de voltar a ser ‘uma só’ e que para isso deveriam começar por trabalhar fisicamente todos juntos para fomentar a união de grupo e para que a comunicação direta entre todos surgissem novas e melhores ideias e aumentar a velocidade e qualidade do trabalho.

Esta medida surpreendeu a maioria dos colaboradores que mostraram seu descontentamento e alegaram que a flexibilidade de horários era um dos maiores atrativos nas políticas contratuais de Yahoo. A polémica acendeu, pois vários estudos indicam que o trabalho à distância e a flexibilidade laboral são modelos organizacionais próprios desta época e que aumentam notavelmente a produtividade dos colaboradores. No entanto, empresas como Google preferem a medida do possível evitar este tipo de medidas.

Uma pesquisa da Microsoft em 2011 revelou que apenas 52% das pessoas em 15 países da Zona Euro acreditam que esse tipo de práticas são produtivas, apontando que muitos funcionários abusam desses sistemas e desperdiçam a maioria do tempo em sua casa.

 

Richard Branson, CEO e fundador de Virgin Group, se manifestou contra a medida e classificou-a como um passo atrás em um momento no que o trabalho à distância e a flexibilidade são altamente efetivos e muito fáceis de implementar. Por seu lado, o reconhecido empresário Donald Trump apoio totalmente Mayer e afirmou que os colaboradores devem trabalhar nas instalações das empresas em vez de estar em sua casa todo o dia.

O debate continua e no final do ano 2013 a empresa de comércio de artigos eletrônicos Best Buy decidiu eliminar a flexibilidade horária de suas políticas laborais como uma medida para fazer frente a seus pobres resultados operativos durante esse ano.

Como tínhamos dito antes, é fundamental a responsabilidade dos colaboradores para conseguir um aumento real da produtividade em seu trabalho. Mas é bem sabido que dependendo da cultura e do país de que estivermos falando, são muitas as pessoas que apenas rendem em seu trabalho sob pressão e supervisão e em esse caso a medida definitivamente não funciona.

 

O clima laboral de sua organização é vital para reter seus talentos