Entrevistas

“O modelo de recrutamento latino está mudando pela entrada no mercado dos millennials”: Mario Mora, CEO de FirstJob.com

Hoje vamos falar sobre recrutamento e a atualidade do mercado laboral com Mario Mora, engenheiro comercial, especialista em employer branding, recrutamento, inovação, empreendimento, responsabilidade social e marketing. O Mario é CEO e fundador do site FirstJob.me, o maior marketplace de estudantes e recém-graduados da América Latina.

Acsendo: O que é a First Job?

Mario Mora: É uma plataforma para estudantes e jovens profissionais que buscam prática profissional ou trabalho que exija uma experiência de 0 a 2 anos. Nossa meta é converter-nos em uma plataforma de jovens profissionais em toda a América Latina que permita exportar talento entre nossos países e também para os Estados Unidos e a Europa.

A.: Há quanto tempo estão no mercado?

M.M.: Levamos dois anos no Chile e já trabalhamos com mais de 50 clientes. Na Colômbia começámos em fevereiro e o mercado se parece muito com o chileno, nosso enfoque para os estudantes são as grandes empresas. A nível de redes sociais é um país com grande penetração do Facebook, Twitter e Instagram, isso é parte do valor acrescentado que oferecemos às empresas: difundir os anúncios de emprego nas redes sociais para melhorar sua marca de empregabilidade para estudantes e jovens.

A.: Qual é o target a nível de tamanho e mercado?

M.M.: Estamos abertos a qualquer setor, geralmente são empresas com departamentos de recrutamento e seleção que contratam pelo menos 10 jovens profissionais e 10 estagiários por ano. No Chile trabalhamos com bancos, minas, empresas de seguros, de telecomunicação e recursos naturais.

A.: Como é o modelo de negócio?

M.M.: É gratuito para os candidatos. As empresas pagam planos anuais de contratação que vão desde os 500 aos 1500 dólares e têm acesso a publicar todos os anúncios de trabalho e práticas que queiram, acesso a todos os currículos de seus candidatos e toda a difusão nas redes sociais que nós fazemos por eles. Para o plano inicial podem fazer 5 contratações e contratações ilimitadas para o plano extenso. Adicionalmente, podem pedir serviços de valor acrescentado como nosso sistema de vídeo-entrevistas.

A.: Que diferença tem em relação aos competidores?

M.M.: Não cobramos por um anúncio porque pensamos que o que a empresa busca é o candidato ideal, por isso os anúncios são ilimitados em nossa plataforma. A maior diferença é que somos um negócio muito segmentado e posicionado nas melhores universidades. Usamos as redes sociais, o que afeta positivamente a marca de empregabilidade da empresa, o com a qual passados vários meses melhora notavelmente sua posição e a quantidade e qualidade de candidatos que estão buscando.

Funcionamos com um sistema de match prévio, portanto permitimos aos clientes segmentar em páginas separadas as pessoas que fazem match e as que não, no momento de publicar um anúncio. No futuro, pretendemos integar outras ferramentas que permitam verificar o talento das pessoas como teste de inglês, de software ou psicológico.

A.: Qual o papel das universidades?

M.M.: Por agora não foi necessário fazer alianças com universidades. Chegamos aos alunos através de redes sociais e eles mesmo compartilham com seus amigos para que eles conheçam a oportunidade. Temos outro fator diferenciador muito grande que é a inscrição muito simples na nossa página. Basta preencher o nome, morada, universidade, nível de inglês, se busca estágio ou trabalho, se é estudante ou não, esse é o perfil de cada pessoa. Com essa informação geramos um mini algoritmo que permite segmentar a pesquisa dos clientes. O que queremos agora é gerar alianças com universidades para oferecer um sistema de busca de estágios gratuito e assim chegar a maiores clientes.

A.: Qual é o principal fator de êxito para a First Job crescer tão rápido?

M.M.: O uso por parte dos jovens. As empresas hoje devem se adaptar à nova geração, que está entrando no mercado de trabalho, não basta somente publicar um anúncio e acreditar que vão chegar candidatos.

As empresas se perguntam por que não há mais candidaturas de pessoas de universidades como Los Andes, CESA, Nacional, etc., mas não fazem nada para encontrar uma solução. O que fazemos é um trabalho mais holístico, oferecemos uma solução que permite aos jovens inscrever-se muito facilmente e nossos anúncios de emprego não são feitos nos canais tradicionais, mas pelos canais onde os jovens estão, não esperamos que cheguem ao nosso site, vamos até ao seu encontro.

Tudo isto permite que sejamos uma plataforma com peso nas redes sociais, tenhamos seguidores no Chile, Colômbia, El Salvador, em toda a América Latina e inclusivamente na Rússia seguem nossos anúncios de emprego.

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A.: Como vê o futuro do recrutamento na América Latina?

M.M.: Na América Latina o modelo está mudando, agora existe a luta pelo talento com a entrada no mercado da geração Y. Pessoas de 28 ou 30 anos estão entrando incusivamente em cargos de direção, o que estão buscando em um emprego é desenvolvimento pessoal e profissional, procuram se apaixonar por seu trabalho.

Isso é o que as empresas não fazem, não geram essa conexão emocional que tem um nome: employer branding ou marca de empregabilidade. Para isso devem trabalhar certos aspetos da empresa para a tornar mais atrativa, mas não para todos, mas sim para candidatos. Isto são conceitos que na Europa e Estados Unidos estão ganhando força há já 5 ou 10 anos e na América Latina só há pouco tempo está em prática.

Todas as empresas querem os melhores profissionais e esses são de 5 ou 6 universidades em específico, mas ninguém se está perguntando se eles querem trabalhar ou não nessas empresas. Hoje existem muitas facilidades para empreender e muitas para mudar de trabalho, a taxa de pessoas que mudam de trabalho na América Latina é muito alta entre jovens profissionais.

A.: São pioneiros na América Latina em cruzar employer branding com recrutamento?

M.M.: Exatamente, levamos dois anos e fomos os primeiros a trabalhar esse conceito na plataforma. Os anúncios são diferentes e ajudamos os clientes para que a empresa seja mais atrativa para os jovens, tudo isso nas redes sociais, o que gera uma forte difusão que pode chegar em um ano a mais de 2 milhões de impressões de sua empresa em jovens dos 20 aos 27 anos de um país ou universidade específica.

A.: A taxa de desemprego de um país define este modelo de negócio?

M.M.: Quando a taxa de desemprego em um país é baixa, a competição por chegar ao talento é mais alta, portanto o talento jovem faz com que as empresas estejam dispostas a pagar mais pelo recrutamento. Quando a taxa é alta, há muito mais pessoas dispostas a trabalhar, mas as empresas têm muito mais dificuldade em filtrá-los e chegar ao top 10 dentro de 600 candidatos. Aí surgimos nós para os ajudar a fazer esse filtro.

A.: Não é redutor que a empresa escolha a universidade de onde vêm os candidatos?

M.M.: É um filtro prévio, todas as empresas têm claro o tipo de candidato que buscam, para alguns cargos pode ser de qualquer universidade ou região, mas para outros é segmentado e o de certa universidade é seu candidato ideal. O que fazemos é mostrar em uma janela à parte esse candidato ideal, mas podem acessar todos os outros talentos que se candidataram para que todos tenham a oportunidade de se mostrar independentemente da universidade.

A.: Pensaram em um SecondJob?

M.M.: O que queremos é gerar para nossos clientes o acesso a uma base de dados que contenha as profissões mais buscadas, as pessoas escolhem se querem estar na lista de segundo ou terceiro trabalho, as empresas as contactam para enviar a oferta.

A.: Coletando tanta informação, poderia ser feita uma análise preditiva

M.M.: Estamos trabalhando em um modelo de Big Data e já estamos implementando algumas soluções. Hoje quando abres um anúncio de emprego e não te candidatas recebes um inquérito para saber por que não o fizeste, esses dados são cruzados com os do candidato para saber a posição da empresa nas diferentes universidades e profissões. Isso gera uma inteligência de negócio para a área de RH, o que permite conhecer sua posição real e o nível de competitividade que têm em relação a outras empresas.

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